O grande embate
Como não poderia deixar de ser, escrevo sobre as eleições deste domingo. Assunto original, como originais são os perfis das duas coligações e seus candidatos. Senão vejamos.
De um lado está o candidato do governo passado, que criou o PROER para a salvação de bancos quebrados, período no qual os bancos acabaram indo muito bem, obrigado. De outro, o candidato do partido que sempre pregou contra os banqueiros e, que de tão carismático e tão fofo, conseguiu destes mesmos banqueiros empréstimos sem aval para distribuir entre os deputados no episódio do mensalão. Aliás, no seu governo, os banqueiros continuam muito bem, obrigado.
De um lado aqueles que se aliaram ao PTB, ao PL e a outros partidos de aluguel em nome da governabilidade. De outro, aqueles que se aliaram ao PTB, ao PL e a outros partidos de aluguel em nome da governabilidade.
De um lado aqueles que enfrentaram as oligarquias de braços dados com ACM.
De outro, aqueles que o fizeram de braços dados com Sarney e Jader Barbalho.
De um lado aqueles que não inventaram a compra de parlamentares, mas compraram a emenda constitucional da reeleição. De outro aqueles que também não inventaram a compra de parlamentares, mas mantiveram uma relação promíscua com o legislativo a ponto de negociarem votos por dinheiro de origens nada claras.
De um lado aqueles que tiveram ministros e altos funcionários envolvidos em negociatas de ambulâncias e emendas orçamentárias. De outro também.
Ora, estas são questões pontuais, alegarão defensores de ambos os lados. O importante são as idéias e os projetos de cada um para o Brasil.
Claro, claro. Como podemos observar, o país encontrará em ambos respostas perfeitas para os palpitantes temas da saúde, da educação e da segurança pública. Esse negócio de ética é coisa secundária. Nenhum dos dois blocos conseguiu resolver esse problema porque, quando no governo, o outro atrapalhou. A culpa é do outro.
Sinceramente, diante de tamanha diferença de perfis e de princípios, comecei a variar e não consigo atinar com o lado que está certo. Ora penso uma coisa, ora penso outra, a ponto que já me ocorre a perfeita frase de Stanislaw Ponte Preta: “ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”. Oh dúvida que me assalta, oh responsabilidade! O que fazer?
Acho que a única solução é somar estas forças antagônicas. Opero: 45 + 13 = 58. Sim, 58. Está a 7 unidades de uma boa idéia e a 11 de outra melhor ainda.