Especulações em torno da palavra amor
Para Karina Maria Lopes de Castro
A Carlos Drummond de Andrade
que diabos é este torpor?
vem de você ou de mim
esse amor?
é só das nossas faltas feito
ou é entidade etérea
além do peito?
existirá o cupido
estampado e esculpido no plasma
flechando invisivelmente corações?
ou vivemos buscando emoções
amores que nos amem
o quanto não nos amamos?
para que serve, afinal,
o amor?
ser menos só?
passar o tempo
enquanto não se é pó?
bicho ama,
ou só quem tem alma
ama?
ou amar é pensar que bicho tem alma?
alma tem a ver com amor,
ou são ambos como um vapor
no qual acreditar
esquenta e acalma?
dói perder amor
como se os olhos
não vissem mais cor
mas por que tanto corrói
ainda que traga bolor
a perda de algo tão abstrato?
será concreto seu substrato?
haverá conceito de fato?
por que quando não constrói
destrói?
por que nasce aos trancos?
por que morre vagarosamente
aos prantos?
será só para poucos
ou para loucos?
ou será que nunca será
mais que um grito rouco
o amor?
Epitáfio para um morto-vivo
me afogo
me salvo
não planejo
meu coração é feito de coisas banais
finalizo
começo
tropeço
como a vida podia ser tanta!
no final acaba qualquer uma
nada faz sentido
a magia fugiu para o céu
eu desaprendi a voar
é tudo simples como a verdade
da menina que come chocolates em Tabacaria
simples
e completamente impossível
como todos os beijos
que quis dar nas estrelas