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segunda-feira, 21/02/2005
Quantos reais por um trincintim?
Estava num shopping de produtos de procedência duvidosa, por assim dizer. Contrabando mesmo. Na Augusta, pertinho da Paulista. Pergunto ao chinês:
- Quanto custa essa Sony Cybershot 4.1 Megapixels?
- Sessenta trincintins.
- Cuméquié?
- Sessenta trincintins.
- Quanto?
- SESSENTA TRINCINTINS - respondeu-me ele, quase gritando, como se eu fosse surdo.
- ?!?
- Meia três zero.
- Ah! Seiscentos e trinta!
Depois ri de me dobrar. Na hora pensava quanto valeria um trincintim. Que raio de moeda é essa?
São Paulo, por quatro ótimos dias, foi sempre uma agradável surpresa. Carioca, cresci ouvindo bobagens tais que diziam que o carioca vivia e o paulista trabalhava, que paulista é estranho, que não tem jogo de cintura. Tudo besteirada. São Paulo é uma cidade encantadora, metropolitana, misturada. Tem os mesmos problemas das outras grandes cidades, mas tem seus encantos, e são muitos.
Come-se em São Paulo como em nenhum outro lugar. Come-se bem e fartamente. Comi as melhores empadas da minha vida, comi um beirute fabuloso, comi um pintado sensacional. Até pão com manteiga é melhor que nos outros lugares. Melhor, ainda fui muito bem atendido, sempre servido com um sorriso e com simpatia. Nada que pudesse se assemelhar ao lugar comum que diz que o paulista corre, corre, trabalha, trabalha e não se diverte. Quem trabalha de boa vontade e munido de um sorriso está se divertindo.
Conheci vendedores que sabiam absolutamente tudo sobre seus produtos, desde a moça da máquina fotográfica até o rato de sebo de discos que tem uma banca na Feira do Bexiga. Gente que respira o que faz, e o faz bem e tranqüilamente. A propósito, na Feira do Bexiga achei um LP dos Rolling Stones por R$ 3,00, um Zippo por R$ 10,00. Arrematei ambos, naturalmente. Depois me sentei na pizzaria que há na praça e passei horas agradáveis ouvindo um belíssimo grupo de chorinho, de senhores todos com mais de sessenta anos, sorridentes, musicais, simpáticos.
Recordava como tinham sido bons estes dias e me deliciava. Mônica, Rúbia e Rô foram encantadoras, divertidas, cicerones e tudo o mais. Atenciosas, não me deixaram mofando num quarto de hotel. Mônica ainda me ofereceu um almoço maravilhoso, feito pelo simpático e ótimo cozinheiro, Luis, seu marido (ela acho que não frita nem ovo). Conheci sua família, neto incluso, todos adoráveis. Aqui, um parêntese para Nanda, de novo visual, a delicadeza em pessoa. E tem uma filha linda, linda, linda.
Pensava nisso, relembrava os bons momentos, o encontro com minha irmã, a visita ao MASP e à coleção de 100 obras impressionistas e desvanecia. Ficar cara a cara com um Picasso, Van Gogh, Renoir, Toulouse-Lautrec, Monet, Manet, Matisse, Cézanne, Gauguin, Modigliani... Isso é coisa que não se esquece, impressiona mesmo. Ainda havia alguns manuscritos de Chico Buarque, vistos em exposição no SESC Pinheiros. Correspondência com Tom Jobim e Vinícius de Morais, além de algumas letras originais, documentos da censura... Aí deu-se a covardia, me apareceu um realejo. Um R-E-A-L-E-J-O !!!! Tirei a sorte e quase chorei. Dizia que com o meu esforço eu seria feliz. Huahuahuahua. Já era.
Post 007284 - Nelson Gesualdi - 12:11
quarta-feira, 02/02/2005
Os mistérios profundos da lixeira
A lixeira-cinzeiro que se encontra na ilustração, como o próprio nome diz, é um objeto de dupla funcionalidade. Sua utilização é de difícil compreensão e requer um curso de especialização, o que é recomendado para todos aqueles que precisam interagir com ela diariamente. Sua função é separar objetos inflamáveis de cigarros e fósforos e evitar princípios de incêndios. Elaboramos aqui uma referência rápida para sua utilização, buscando elucidar suas funcionalidades mais obscuras e desmentir lendas infundadas.
A parte superior (A), rasa e chata, apesar de se assemelhar a uma tampa, na verdade tem a função de cinzeiro, onde devem ser depositados cinzas e tocos de cigarros. Muito embora exerça forte atração sobre copinhos, plásticos, caixinhas e outros objetos pequenos, recomendamos que estes sejam depositados na parte inferior (B). Esta separação, segundo especialistas, evita incêndio e odores indesejados, além de facilitar sobremaneira sua limpeza.
Estudos recentes, realizados pelo INMETRO, desacreditaram a lenda da existência do Monstro da Lixeira, criatura que habitaria sua parte inferior e engoliria a mão que nela tentasse introduzir algo. Após cinco anos de pesquisas utilizando a mais moderna tecnologia, não foram encontrados quaisquer vestígios do mítico monstro, tendo o instituto outorgado seu selo ao utensílio.
Caso seja fumante e persistam dúvidas, procure a unidade dos Fumantes Anônimos mais próxima, pois definitivamente você não está apto a manobrar um cigarro. Se não for fumante, por favor, utilize apenas a parte destinada aos objetos não provenientes da tabacaria.
Post 007152 - Nelson Gesualdi - 13:33
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